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歌词
O vento salgado sopra do porto Trazendo o frio de um mar morto Prometeste voltar na flor da ameixoeira Mas a primavera passou à minha beira As pétalas caem no chão do quintal Espero por ti num silêncio mortal Lembro o barco a sumir no nevoeiro Eras o meu destino e o meu roteiro A aurora roubou-te da minha mão Deixando apenas esta solidão O mastro desceu na linha do horizonte E a mágoa nasceu como água na fonte Ai, esta saudade que o sino marca Enquanto a alma no cais embarca O tempo é a rede que me abarca Sou náufraga nesta triste barca Espero o regresso que o mar não traz Neste remorso que me tira a paz O mar não tem fim Só resta o que há em mim O silêncio é assim Um lamento sem fim Na mesa de cabeceira ficou o lenço Com o teu nome num bordado denso Os pequenos vazios que aqui deixaste São as correntes com que me amarraste A casa tem ecos de passos que não dás E o tempo pergunta por onde andarás Ai, esta saudade que o sino marca Enquanto a alma no cais embarca O tempo é a rede que me abarca Sou náufraga nesta triste barca Espero o regresso que o mar não traz Neste remorso que me tira a paz Talvez o destino seja este desterro Amar-te em silêncio foi o meu erro Aceito a ausência com resignação Nesta penumbra do meu coração O mar é um livro que ninguém leu E o teu vulto no sal se perdeu A luz da candeia treme na parede Minha alma tem sede da tua sede As ameixeiras já não têm flor Só resta o frio deste desamor Olho a janela com olhos de sal Neste fado que é o meu ritual Ai, esta saudade que o sino marca Enquanto a alma no cais embarca O tempo é a rede que me abarca Sou náufraga nesta triste barca Espero o regresso que o mar não traz Neste remorso que me tira a paz
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