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Lời bài hát
O sol batia no asfalto quente A feira fervia de tanta gente Eu lá na banca, de pé no chão Fritando a massa com o coração Cheiro de cana, poeira e vento Parava o tempo naquele momento Tinha fofoca no pé da porta E a tristeza ficava morta Tinha bandeira de seda no alto Cavaquinho chorando no asfalto E o agogô batendo no peito Tudo do meu jeitinho perfeito Ele pedia o pastel de queijo Mas no olhar me mandava um beijo Dizia: "Dona, que massa divina!" Me fazendo sentir uma menina Ai, que malícia, que tempo bom Samba de raiz, no melhor tom O tempero era eu quem dava Enquanto a gente só conversava O tempero era eu quem dava E a vizinhança toda olhava Chegava cedo, camisa de linho Fazia a curva bem devagarinho "Me vê um de carne, bem recheado" E eu dava o papo, toda de lado Ele fingia que não entendia Mas o seu olho todo sorria Sábado era dia de festa Esquecia o que não presta Era malícia, era pureza Samba na alma, luz na mesa Era malícia, era pureza Tanta saudade, que beleza O tempo passou, a vida mudou Mas esse brilho em mim não findou Lembro daquela risada macia Que alimentava a minha alegria Não tem dinheiro que pague o prazer De ter história pra gente viver Oitenta e poucos, que era de glória Ficou gravado na minha memória Ele pedia o pastel de queijo Mas no olhar me mandava um beijo Dizia: "Dona, que massa divina!" Me fazendo sentir uma menina Ai, que malícia, que tempo bom Samba de raiz, no melhor tom O tempero era eu quem dava Enquanto a gente só conversava O tempero era eu quem dava E a vizinhança toda olhava
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