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Lời bài hát
O sol deita-se no Tejo Ouro sobre o azul cobalto No brilho de cada azulejo Lisboa fala mais alto Caminho por Alfama calma Com o barro nas mãos cansadas Trago o silêncio na alma E a cor das madrugadas Entrei na tasca da frente No parapeito esquecido Vi o risco que a gente Desenhou num tempo ido Um pedaço de cerâmica Que o destino ali guardou Numa curva tão dinâmica Que a minha mão decorou Trinta anos de salitre Trinta anos de fornalha Não há nada que me irrite Nesta vida que trabalha Não é mágoa, nem lamento É o traço da tua mão Que em cada novo ornamento Guiou o meu coração Trinta anos de vidrado Pintei o que não vivi Todo o fado é o meu passado E o meu barro vive de ti É azul, é só azul O mar que te levou É azul, é só azul A vida que ficou Partiste num barco a velas Ficou o barro na mesa Nas rimas das caravelas Perdi a minha incerteza Não espero que o mar te traga Nem que a onda mude a cor A saudade é uma braga Que deu forma ao meu labor No forno o fogo consome A tinta que o tempo apaga Mas não queima o teu nome Nem a dor que já não esmaga O pincel desliza lento Sobre a face do painel És o meu consentimento Neste eterno carrossel Olho a peça na minha palma O desenho que fizemos Trouxe paz à minha alma Pelos mares que não vencemos Sou artesã do destino Mestra de um só pincel O que era desatino É agora o meu papel Não é mágoa, nem lamento É o traço da tua mão Que em cada novo ornamento Guiou o meu coração Trinta anos de vidrado Pintei o que não vivi Todo o fado é o meu passado E o meu barro vive de ti É azul, é só azul O mar que te levou É azul, é só azul A vida que ficou
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