samba

O Tempero do Pastel

Camila

4 воспр. · 0 в избранном · 3:50

Текст

O sol batia no asfalto quente
A feira fervia de tanta gente
Eu lá na banca, de pé no chão
Fritando a massa com o coração
Cheiro de cana, poeira e vento
Parava o tempo naquele momento
Tinha fofoca no pé da porta
E a tristeza ficava morta

Tinha bandeira de seda no alto
Cavaquinho chorando no asfalto
E o agogô batendo no peito
Tudo do meu jeitinho perfeito

Ele pedia o pastel de queijo
Mas no olhar me mandava um beijo
Dizia: "Dona, que massa divina!"
Me fazendo sentir uma menina
Ai, que malícia, que tempo bom
Samba de raiz, no melhor tom

O tempero era eu quem dava
Enquanto a gente só conversava
O tempero era eu quem dava
E a vizinhança toda olhava

Chegava cedo, camisa de linho
Fazia a curva bem devagarinho
"Me vê um de carne, bem recheado"
E eu dava o papo, toda de lado
Ele fingia que não entendia
Mas o seu olho todo sorria
Sábado era dia de festa
Esquecia o que não presta

Era malícia, era pureza
Samba na alma, luz na mesa
Era malícia, era pureza
Tanta saudade, que beleza

O tempo passou, a vida mudou
Mas esse brilho em mim não findou
Lembro daquela risada macia
Que alimentava a minha alegria
Não tem dinheiro que pague o prazer
De ter história pra gente viver
Oitenta e poucos, que era de glória
Ficou gravado na minha memória

Ele pedia o pastel de queijo
Mas no olhar me mandava um beijo
Dizia: "Dona, que massa divina!"
Me fazendo sentir uma menina
Ai, que malícia, que tempo bom
Samba de raiz, no melhor tom

O tempero era eu quem dava
Enquanto a gente só conversava
O tempero era eu quem dava
E a vizinhança toda olhava

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