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A agulha fura a seda pura Traçando o mapa da ventura De quem se veste de alvorada Enquanto eu fico aqui parada Lisboa dorme à minha porta A esperança já nasceu morta Mas no dedal de prata antiga A minha alma ainda o abriga O linho frio toca os dedos Coser a vida e seus enredos Um ponto dado, um ponto morto Sem nunca ver chegar o porto Botão de luz, de madrepérola No meu peito, a única pérola São quatro décadas de espera Em cada inverno, uma quimera Ele levou o meu destino Nesse balanço cristalino E eu aqui, de linha em punho Deste silêncio sou testemunho As noivas vêm buscar o sonho Neste meu rosto tão enfadonho Provam o véu de renda fina Ignorando a minha sina O mar não manda uma notícia Nem o roçar de uma carícia Só o balanço da maré Que me mantém ainda de pé O linho frio toca os dedos Coser a vida e seus enredos Um ponto dado, um ponto morto Sem nunca ver chegar o porto Botão de luz, de madrepérola No meu peito, a única pérola São quatro décadas de espera Em cada inverno, uma quimera Ele levou o meu destino Nesse balanço cristalino E eu aqui, de linha em punho Deste silêncio sou testemunho Se o tempo para na costura A dor é doce, não é dura É um cansaço que me acalma Um alinhavo na minha alma Não peço barcos, nem regresso Neste botão, eu me confesso A luz da tarde já desmaia Como uma onda sobre a praia Guardo as tesouras e os panos Contando os dias e os anos O madrepérola reluz É a minha sombra e a minha luz Um náufrago no meu avental Amor que é fado, amor fatal Botão de luz, de madrepérola No meu peito, a única pérola São quatro décadas de espera Em cada inverno, uma quimera Ele levou o meu destino Nesse balanço cristalino E eu aqui, de linha em punho Deste silêncio sou testemunho
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