musica gaucha vanerao

Raiz de Pampa e Querência

Camila

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Letra

Dez invernos passados no cinza da capital
Mas o meu sangue pampa é um grito visceral
Troquei o som da buzina pelo canto do sabiá
Sentindo o cheiro da terra que volta a me abraçar
A poeira da estrada desenha o meu destino
No rastro do cavalo, no barro do caminho

Abro a porteira velha com o peito a palpitar
Cada estaca de cerca tem história pra contar
O vento minuano sopra um verso de saudade
Matando a sede bruta da minha identidade

Sou semente de estância, sou flor de laranjeira
Minha raiz é firme, não é qualquer poeira
Bato o pé no tablado no compasso do vanerão
O Rio Grande sagrado pulsa no meu coração
É o fole que chora, é a alma que canta
A força da mulher que a tradição levanta

Vanerão que balança, vanerão que me guia
Voltei pra minha terra, pra minha alegria
Vanerão que balança, vanerão que me guia
Voltei pra minha terra, pra minha alegria

O cheiro da erva-mate queimada no fogão
Vó me espera sorrindo com o bule na mão
Um abraço de arrasto, um afeto de verdade
Que não se encontra nunca no meio da cidade
Ouço a gaita do pai na varanda ao entardecer
Melodia que ensina o que é ser e o que é viver

As marcas de casco no barro da entrada
São as cicatrizes da minha jornada
A gaita-ponto chora um segredo no ar
Dizendo que o meu lugar é onde eu devo estar

Sou semente de estância, sou flor de laranjeira
Minha raiz é firme, não é qualquer poeira
Bato o pé no tablado no compasso do vanerão
O Rio Grande sagrado pulsa no meu coração
É o fole que chora, é a alma que canta
A força da mulher que a tradição levanta

Não importa a distância, nem o tempo que passou
A fibra desta terra em mim nunca se soltou
Sou feita de campo, de sol e de geada
Uma prenda valente na longa estrada
O silêncio do campo vale mais que o barulho
Retorno pra casa com um quieto orgulho

Marca a caixa, gaiteiro!
Segura o fole, que a saudade virou festa!

Sou semente de estância, sou flor de laranjeira
Minha raiz é firme, não é qualquer poeira
Bato o pé no tablado no compasso do vanerão
O Rio Grande sagrado pulsa no meu coração
É o fole que chora, é a alma que canta
A força da mulher que a tradição levanta

Vanerão que balança, vanerão que me guia
Voltei pra minha terra, pra minha alegria
Vanerão que balança, vanerão que me guia
Voltei pra minha terra, pra minha alegria

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