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Lyrics
A poeira da estrada baixou O portão de madeira rangeu O tempo que o vento levou Foi o mesmo que me devolveu Deixei a cidade pra trás Buscando o que o peito perdeu O asfalto não traz essa paz Que o campo do sul me deu O cheiro do mato me chama A chama do fogo de chão Quem tem essa terra na alma Não nega sua tradição Sou filha do pampa, sou flor Criada no sol e no frio Voltei pra curar minha dor Na beira do mesmo rio O fole da gaita me guia No compasso do meu coração A paz que eu não conhecia Tá dentro desse galpão Vanerão que bate no peito Com gosto de chão e de glória Do meu Rio Grande, o jeito De escrever minha própria história O cusco já veio latindo Abanando o rabo no portão Ele sabe que estou vindo Pra buscar minha direção Na cozinha a cuia rachada Me espera em cima da mesa Minha alma estava cansada De tanta falsa beleza O eucalipto balança No sopro do minuano Desperta em mim a criança Que se perdeu com o passar do ano Sou filha do pampa, sou flor Criada no sol e no frio Voltei pra curar minha dor Na beira do mesmo rio O fole da gaita me guia No compasso do meu coração A paz que eu não conhecia Tá dentro desse galpão A fumaça do churrasco sobe O céu se pinta de anil Nenhum luxo de gente nobre Vale esse chão do Brasil A benção da minha avó É o laço que me conduz Nunca mais eu me sinto só Onde o campo produz sua luz Calcei de novo a bota Senti o peso do esporão Refiz toda a minha rota Pra pisar nesse rincão A capital foi um sonho Que o vento forte soprou Agora o que eu componho É o que a estância deixou Sou filha do pampa, sou flor Criada no sol e no frio Voltei pra curar minha dor Na beira do mesmo rio O fole da gaita me guia No compasso do meu coração A paz que eu não conhecia Tá dentro desse galpão Vanerão que bate no peito Com gosto de chão e de glória Do meu Rio Grande, o jeito De escrever minha própria história
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