Pão de Tarde
Camila73 plays
Pisei no barro vermelho Reflexo no meu espelho Sandália suja de chão Batendo no coração Deixei a cidade pra trás Aqui eu encontro minha paz A poeira que o vento traz Me diz que eu sou capaz O tacho já tá no fogo Entrei de novo no jogo Cheiro de milho no ar Faz a gente recordar Fumaça que sobe pro céu Doce como favo de mel Oi, vovó, cheguei agora Mandei a saudade embora São João chamou meu nome A sede de volta consome Xote, baião e alegria Na luz do raiar do dia Sou filha dessa agonia Que vira doce poesia É no toque do triângulo Nesse verso, nesse ângulo Zabumba batendo forte Sou o brilho desse norte O rádio de válvula antigo Parece falar comigo Chiado que vira canção Luiz mora nesse sertão A voz de Elba no vento Cura todo sofrimento O fole que chora baixinho Me mostra todo o caminho A lenha queima no canto Espanta todo meu pranto A mesa posta na sala É onde o amor se instala Café com bolo de rolo O mundo vira um consolo Oi, vovó, cheguei agora Mandei a saudade embora São João chamou meu nome A sede de volta consome Xote, baião e alegria Na luz do raiar do dia Sou filha dessa agonia Que vira doce poesia Sanfona de oito baixos Nos teus cabelos, nos cachos Dominguinhos no compasso No aperto desse abraço Violão de aço tinindo O povo todo sorrindo Não tem nada mais lindo Do que o sol vindo Amigos de antigamente Encontram a gente de frente O tempo parece parado No meu destino traçado Não sou mais a moça de lá Sou filha desse lugar Onde eu aprendi a amar Onde eu aprendi a cantar Oi, vovó, cheguei agora Mandei a saudade embora São João chamou meu nome A sede de volta consome Xote, baião e alegria Na luz do raiar do dia Sou filha dessa agonia Que vira doce poesia Bate a zabumba, menino Segue o meu destino Bate o triângulo, moça Com toda sua força
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