O Portão da Escolinha
Thiago34 plays
Vinte e cinco janeiros deixei pra trás O asfalto cinzento não me deu a paz Que eu tinha no colo desse estradão Onde o pó da terra virava oração O portão de madeira tá caído ao léu A porteira não range, subiu pro céu E o mato cresceu onde o sonho morava Na pequena lida que a gente amava Olho pro mourão que o tempo rachou Onde o meu carneiro a gente amarrou Primeiro bicho que eu chamei de meu Que a mão do destino também esqueceu O curral tá mudo, sem o gado berrar Sem o balde de zinco pro pai ordenhar O leite espumando, branco de pureza Era a nossa fartura e a nossa riqueza O sucesso da cidade é um brilho falso Que machuca o pé de quem andava descalço Troquei o silêncio por essa agitação Mas deixei a alma plantada no chão Cadê o gado leiteiro que o pai tratava? Cadê a cantiga que a mãe entoava? O cheiro do café com a rapadura Adoçando a vida, curando a amargura Eu voltei pra casa, mas a casa sumiu No vão da saudade que o peito sentiu Onde o sol nascia, hoje é só solidão Restou o silêncio e o velho mourão Êta vida que passa, não volta jamais Ficou na memória o tempo dos pais Onde a felicidade morava num abraço E a paz se estendia no nosso cansaço Entro na ruína que foi meu lar O teto quebrado deixa o céu entrar O fogão de lenha, hoje é só tijolo Não tem mais o bolo, não tem mais consolo Lembro da fumaça saindo do cano Desenho do tempo, o passar de cada ano A mãe na cozinha, o pai no terreiro O mundo era pequeno, mas era inteiro O dinheiro compra o teto e a cama Mas não compra o cheiro da terra que ama Não compra o gosto da fruta no pé Nem a fé que se tinha num bule de café Sou um homem de sorte, dizem por aí Mas a maior sorte eu deixei por aqui Cadê o gado leiteiro que o pai tratava? Cadê a cantiga que a mãe entoava? O cheiro do café com a rapadura Adoçando a vida, curando a amargura Eu voltei pra casa, mas a casa sumiu No vão da saudade que o peito sentiu Onde o sol nascia, hoje é só solidão Restou o silêncio e o velho mourão
Loading…