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Lyrics
O sol desperta na ladeira Bolsa de couro, poeira Nos anos setenta, a missão O carteiro é a pulsação Pisa o chão de barro Sem medo e sem amparo O suor escorre no rosto No porto, ele cumpre o posto Subindo o morro com fé O povo já sabe quem é O vento traz o sal Um sopro divinal Papel que o mar banhou A saudade enfim chegou Carimbos em tom de urucum Pra alegria de cada um Olha o carteiro chegando no morro Trazendo a vida num grito de socorro O pescador mandou avisar Que a rede tá cheia, voltou do mar Canta, meu povo, a voz da união A carta é a cura pro coração É o amor que vem no envelope Faz o peito bater no galope Dona Maria abre a janela Lá vem a sorte dela Meses de espera e oração Com o bilhete na mão A escrita em letra miúda Que a tristeza transmuda O cheiro de peixe e de rede Matando a pior sede O selo vermelho da terra Termina de vez essa guerra O vento traz o sal Um sopro divinal Papel que o mar banhou A saudade enfim chegou Carimbos em tom de urucum Pra alegria de cada um Olha o carteiro chegando no morro Trazendo a vida num grito de socorro O pescador mandou avisar Que a rede tá cheia, voltou do mar Canta, meu povo, a voz da união A carta é a cura pro coração A última entrega, o dia se vai O astro rei enfim cai Pés na areia, fogueira acesa A esperança posta na mesa A comunidade se abraça no cais O medo não volta jamais O entardecer virou festa É só o que agora nos resta O carteiro descansa o sapato Missão cumprida no ato As páginas voam no vento Eterno é o sentimento O porto sorri pro destino O velho volta a ser menino A vila celebra a chegada Na areia, a alma lavada Olha o carteiro chegando no morro Trazendo a vida num grito de socorro O pescador mandou avisar Que a rede tá cheia, voltou do mar Canta, meu povo, a voz da união A carta é a cura pro coração É o amor que vem no envelope Faz o peito bater no galope
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