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Lyrics
A garoa fina borda o Cais do Apolo Onde o Recife antigo se faz colo Caminho lento em passo de memória Buscando o rastro de uma velha história Na esquina exata onde o tempo parou Onde o papel o meu sonho embalou A banca era um templo de heróis e vilões Tinta de jornal nas pontas dos dedos Escondia ali as minhas confissões E desvendava todos os meus medos O Seu Bento sorria por trás do balcão Com mãos de papel e um grande coração Mas o vento soprou e a folha virou Onde era o nanquim, o aroma ficou A banca agora é um ponto de encontro Onde o silêncio se perde no pronto Café com canela e senha de rede O mundo gira em torno da sede Mas sinto meus pés no chão da calçada A alma tranquila, a pressa é nada O que era impresso virou digital Mas a minha calma é o ponto final É doce o lamento, é leve o pesar De ver que o tempo aprendeu a mudar Onde eu lia as lendas de longa jornada Hoje há o vapor da xícara quente O Seu Bento partiu na última estrada Deixando o espaço pra outra gente A chuva mancha o vidro do café E eu me reconheço no que ainda é O reflexo no chão de paralelepípedo Mostra o menino no homem intrépido A pressa lá fora é um rio que corre Mas dentro de mim a lembrança não morre Café com canela e senha de rede O mundo gira em torno da sede Mas sinto meus pés no chão da calçada A alma tranquila, a pressa é nada O que era impresso virou digital Mas a minha calma é o ponto final (Modulando para Lá Maior) A luz da tarde é um ouro que escorre Por entre as pontes que o rio socorre Não há amargura no que se transformou Sou o vestígio do que aqui restou O Wi-Fi não capta o que o peito sente A paz de estar vivo e ser presente Café com canela e senha de rede O mundo gira em torno da sede Mas sinto meus pés no chão da calçada A alma tranquila, a pressa é nada O que era impresso virou digital Mas a minha calma é o ponto final Nanquim borrado na chuva que cai O que é de verdade do tempo não sai Nanquim borrado na chuva que cai O que é de verdade do tempo não sai
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