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Lyrics
O café descansa mudo No balcão de madeira e pó O Rio inventa o seu tudo Eu aqui, livreiro e só A chuva fina no chão Molha o paralelepípedo frio O samba vem do rincão Enchendo o meu peito vazio Abro o livro de um poeta Papel de bala faz a meta Sua letra azul na margem Dá início a essa viagem Vinte e cinco anos atrás O seu adeus foi voraz Mas o traço do grafite Ainda é o meu limite O agogô marca o passo No silêncio do meu cansaço A flauta sopra o destino De um amor ainda menino Amor que não se viveu Mora no que se esqueceu Em cada canto guardado Deste tempo que é parado Amor que não se viveu Mora no que se esqueceu É poeira sobre a estante Um segredo tão distante É o rastro da saudade No meio da grande cidade Você partiu pro horizonte Eu fiquei guardando a ponte Entre o verso e a memória Nessa nossa curta história O piano toca espaçado Um acorde bem temperado Lembrando o seu riso solto Nesse meu mundo revolto Não precisa de final feliz Para ser o que a gente quis Basta o papel de bala E o que a alma não fala O pandeiro dita o rumo Enquanto eu me perco e me aprumo Nessa estante de desejos Onde guardo os seus beijos Amor que não se viveu Mora no que se esqueceu Em cada canto guardado Deste tempo que é parado Amor que não se viveu Mora no que se esqueceu É poeira sobre a estante Um segredo tão distante É o rastro da saudade No meio da grande cidade
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