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Lirik
Dez invernos passados no cinza da capital Mas o meu sangue pampa é um grito visceral Troquei o som da buzina pelo canto do sabiá Sentindo o cheiro da terra que volta a me abraçar A poeira da estrada desenha o meu destino No rastro do cavalo, no barro do caminho Abro a porteira velha com o peito a palpitar Cada estaca de cerca tem história pra contar O vento minuano sopra um verso de saudade Matando a sede bruta da minha identidade Sou semente de estância, sou flor de laranjeira Minha raiz é firme, não é qualquer poeira Bato o pé no tablado no compasso do vanerão O Rio Grande sagrado pulsa no meu coração É o fole que chora, é a alma que canta A força da mulher que a tradição levanta Vanerão que balança, vanerão que me guia Voltei pra minha terra, pra minha alegria Vanerão que balança, vanerão que me guia Voltei pra minha terra, pra minha alegria O cheiro da erva-mate queimada no fogão Vó me espera sorrindo com o bule na mão Um abraço de arrasto, um afeto de verdade Que não se encontra nunca no meio da cidade Ouço a gaita do pai na varanda ao entardecer Melodia que ensina o que é ser e o que é viver As marcas de casco no barro da entrada São as cicatrizes da minha jornada A gaita-ponto chora um segredo no ar Dizendo que o meu lugar é onde eu devo estar Sou semente de estância, sou flor de laranjeira Minha raiz é firme, não é qualquer poeira Bato o pé no tablado no compasso do vanerão O Rio Grande sagrado pulsa no meu coração É o fole que chora, é a alma que canta A força da mulher que a tradição levanta Não importa a distância, nem o tempo que passou A fibra desta terra em mim nunca se soltou Sou feita de campo, de sol e de geada Uma prenda valente na longa estrada O silêncio do campo vale mais que o barulho Retorno pra casa com um quieto orgulho Marca a caixa, gaiteiro! Segura o fole, que a saudade virou festa! Sou semente de estância, sou flor de laranjeira Minha raiz é firme, não é qualquer poeira Bato o pé no tablado no compasso do vanerão O Rio Grande sagrado pulsa no meu coração É o fole que chora, é a alma que canta A força da mulher que a tradição levanta Vanerão que balança, vanerão que me guia Voltei pra minha terra, pra minha alegria Vanerão que balança, vanerão que me guia Voltei pra minha terra, pra minha alegria
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