fado

Eucalipto e Salitre

Thiago

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歌詞

No copo o tinto já vai a meio
Alfama dorme no meu receio
A mesa gasta de tanto fado
Guarda o silêncio do meu passado
A luz é pouca nesta taberna
A solidão parece eterna

Saí de casa aos dezassete
Com a promessa no meu canivete
Vendi o corpo ao cais do porto
Deixei o campo quase por morto
Lisboa é grande, o mar é fundo
Perdi o norte, ganhei o mundo

Mas quando a noite traz o sereno
O meu remorso é um veneno
A vila chama por meu nome
E a saudade nunca consome

Cheira a eucalipto quando chove
O sino bate e a alma comove
São João passou sem me ver lá
O que eu perdi ninguém me dá
Prometi voltar e não voltei
Nesse abandono me condenei

O que eu perdi
No que vivi
Não voltei
Me condenei

O cheiro húmido daquela terra
Que a névoa fria no monte encerra
Ainda o sinto nesta penumbra
Enquanto a vela me deslumbra
Ouço o repique da capelinha
Num pesadelo que ainda é minha

O mestre-escola dizia sempre
Que o teu destino nunca se tempere
Mas o salitre roeu a pele
E o meu desejo hoje é de fel
Olho o balcão, vejo o cansaço
De quem perdeu o próprio abraço

Cheira a eucalipto quando chove
O sino bate e a alma comove
São João passou sem me ver lá
O que eu perdi ninguém me dá
Prometi voltar e não voltei
Nesse abandono me condenei

O fado quis que eu ficasse aqui
Longe de tudo o que eu conheci
A festa da vila foi esquecida
Na pressa vã desta minha vida
O tempo passa, o vinho acaba
A minha torre de sonhos desaba

Cheira a eucalipto quando chove
O sino bate e a alma comove
São João passou sem me ver lá
O que eu perdi ninguém me dá
Prometi voltar e não voltei
Nesse abandono me condenei

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