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Testo
O sol doura o meu tear Faz a poeira flutuar Na ponta fina da agulha O tempo mudo se mergulha Entre o cetim e o linho Sigo traçando o caminho Gavetas cheias de nomes Histórias que o vento consome Pedaços de sonhos deixados Em laços nunca atados São retalhos de ausência Pura e doce paciência Costuro o que não voltou O amor que se desatou Guardo a cor do adeus Nesses tecidos meus Linha branca, alma mansa Onde o silêncio descansa Ponto a ponto, o tempo passa Como fumaça na vidraça Aquele vestido de chita Que faria a moça bonita Ficou pendurado no prego Num desatino tão cego Ela partiu sem aviso Levando apenas o riso O dedal protege o dedo De um antigo medo De ver o pano rasgar E a memória se apagar São retalhos de ausência Pura e doce paciência Costuro o que não voltou O amor que se desatou Guardo a cor do adeus Nesses tecidos meus Não há amargor no meu corte Nem desafio à sorte Apenas o resto da festa O que de cada um resta Um botão de madrepérola Brilhando como uma pérola O veludo verde-escuro De um segredo tão puro Que o cavalheiro esqueceu Quando o outono morreu Cada retalho é um rosto Nesse meu eterno agosto São retalhos de ausência Pura e doce paciência Costuro o que não voltou O amor que se desatou Guardo a cor do adeus Nesses tecidos meus Alinhava, alinhava, meu coração Transforma a falta em canção Alinhava, alinhava, sem pressa O que a vida nos empresta
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