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Testo
Dez anos de asfalto quente O sol bate diferente O mercado do Seu Zé fechou Onde o grafite a cor apagou Muro cinza, placa de venda Ninguém mais entende a lenda Onde era campo, agora é concreto Um horizonte estreito e reto O cheiro de óleo e poeira A mesma velha ladeira Mas os rostos eu não conheço Paguei por isso o preço Sinto o peso da bota no chão Pulsação em Lá menor no coração Sou estrangeiro na minha casa O fogo antigo virou só brasa O prédio novo esconde o céu Rasgaram todo o meu papel Promessas que a vida esqueceu O bairro que era meu, morreu Nada restou O tempo levou Nada restou Onde o sonho parou Vi o Beto no ponto de ônibus Carregando todo o seu ônus Bico hoje, amanhã quem sabe Nessa rotina que nada cabe Sonhos vendidos por um trocado O futuro já foi confiscado Ele nem me reconheceu O passado dele também se perdeu A fumaça do diesel no ar Não tenho lugar pra voltar A herança é uma conta vencida Na margem de uma avenida O bumbo duplo marca o passo De quem não tem mais espaço Sou estrangeiro na minha casa O fogo antigo virou só brasa O prédio novo esconde o céu Rasgaram todo o meu papel Promessas que a vida esqueceu O bairro que era meu, morreu O Hammond chora no fundo Enquanto eu olho esse mundo Especulação que tudo devora Quem não partiu, chora agora O asfalto engoliu a memória Fim de linha pra nossa história Raiva contida na garganta Onde a esperança não levanta Sou estrangeiro na minha casa O fogo antigo virou só brasa O prédio novo esconde o céu Rasgaram todo o meu papel Promessas que a vida esqueceu O bairro que era meu, morreu Nada restou O tempo levou Nada restou Onde o sonho parou Sombras no beco vazio O peito sente o frio De quem não pertence a lugar nenhum Só mais um, só mais um
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