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Lirik
Gorro encharcado, frio de dezembro Do que o pai disse, pouco me lembro Passe riscado, o meu único empenho Neste destino que eu próprio desenho Autocarro cheio, cheiro a cansaço A vida é um nó, eu sou o laço Lisboa brilha, eu sou o baço No bairro escuro, dou mais um passo A chuva bate na chapa do abrigo O asfalto é o meu único amigo O sistema quer-me ver de castigo Mas eu carrego o que trazes contigo Pratos no topo, a pilha não desce O fado distorce, a alma padece Pai na memória, o filho não esquece O ciclo é a reza que ninguém merece A conta tá paga, o corpo adoece Mas amanhã o sol não aparece (Pratos no topo) (A pilha não desce) (O ciclo não para) (A alma padece) TV da vizinha ecoa no corredor Volume no máximo pra abafar a dor O sistema desenha o nosso destino Cadeia pro pai, trabalho pro menino Servir a mesa de quem nos ignora Limpar o chão de quem nos deita fora Não é lamento, é a realidade Pagar a culpa de outra idade A chuva bate na chapa do abrigo O asfalto é o meu único amigo O sistema quer-me ver de castigo Mas eu carrego o que trazes contigo Pratos no topo, a pilha não desce O fado distorce, a alma padece Pai na memória, o filho não esquece O ciclo é a reza que ninguém merece A conta tá paga, o corpo adoece Mas amanhã o sol não aparece Sample de fado, vinil no pó A gente nasce a saber o nó Sem vitimismo, a voz é só O eco de quem nunca teve dó A herança é o prato pra lavar E a liberdade por conquistar Mãos gretadas pelo detergente Olhar vazio, mas mente consciente A pobreza é um vírus hereditário Escrito no nosso código binário Dezembro chora, eu não tenho tempo Sou o motor, não sou o contratempo Ouro no pescoço de quem não faz nada Ferro no pulso de quem faz a estrada Pratos no topo, a pilha não desce O fado distorce, a alma padece Pai na memória, o filho não esquece O ciclo é a reza que ninguém merece A conta tá paga, o corpo adoece Mas amanhã o sol não aparece
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Memuat…