O
Liedtext
Na ruela onde o vento se cala Alfama dorme em tons de luar A agulha no pano resvala Num fado que eu pus a rezar Quarenta janeiros de espera No linho que o tempo manchou Ficou minha primavera No barco que não regressou O café deixou sua marca No branco que era de flor A alma em silêncio embarca Nas ondas do meu desamor Ai marinheiro do meu destino Onde é que o mar te guardou? Oiço ao longe o som de um sino Mas o noivado nunca chegou Bordo a saudade com fio de seda Sem amargura só com paixão Mesmo que a sorte me impeça Vives no meu coração Bordo a saudade com fio de seda Sem amargura só com paixão Mesmo que a sorte me impeça Vives no meu coração Na gaveta da velha Singer O bilhete já perdeu a cor A letra que o tempo não finge Promessa de um eterno amor Pela fresta da minha janela Vejo o farol de Belém A névoa que apaga a vela E a falta que a vida me tem O café deixou sua marca No branco que era de flor A alma em silêncio embarca Nas ondas do meu desamor Ai marinheiro do meu destino Onde é que o mar te guardou? Oiço ao longe o som de um sino Mas o noivado nunca chegou Bordo a saudade com fio de seda Sem amargura só com paixão Mesmo que a sorte me impeça Vives no meu coração Não choro as horas perdidas Nem culpo a força do mar São duas vidas unidas Que o fado não quis abraçar O dedal já me marca o dedo O cansaço já me pesa o olhar Guardo comigo este segredo De nunca deixar de esperar O vestido ficou por fazer As rendas são teias de luz É este o meu modo de ser O fado que a vida conduz Se o vento trouxer teu perfume Alfama saberá sorrir Aqueço-me neste lume De quem nunca te viu partir Ai marinheiro do meu destino Onde é que o mar te guardou? Oiço ao longe o som de um sino Mas o noivado nunca chegou Bordo a saudade com fio de seda Sem amargura só com paixão Mesmo que a sorte me impeça Vives no meu coração Bordo a saudade com fio de seda Sem amargura só com paixão Mesmo que a sorte me impeça Vives no meu coração
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