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الكلمات
O trinco da porta ainda range O cheiro de mofo e café A estante de cedro me abrange Me lembro de quem eu era, de pé Vendendo versos pra quem tem fé Nesse labirinto de papel e maré Achei o volume de capa azul Aquele que a gente leu no Sul Tua letra miúda na margem Dizia que o amor era viagem Sem porto, sem mapa, sem bagagem Apenas uma breve e doce miragem O sol atravessa a vidraça O tempo é um bicho que passa E deixa no rastro a fumaça De um fogo que nunca queimou As vidas que a gente não escolheu Ainda moram no canto do olhar O beijo que o tempo não devolveu É o verso que eu esqueci de cantar Não há amargura no que se perdeu Só a paz de saber se encontrar Saber se encontrar No que deixou de ser Deixar o rio passar Sem nada a temer A poeira dança no raio de luz O teu nome ainda me seduz Mas não como um peso ou castigo É como o abraço de um velho amigo Um segredo que eu guardo comigo Nesse papel que o tempo traduz A flauta desenha o silêncio O piano pontua o que eu sinto Não minto Eu gosto desse labirinto Onde o quase é um vinho tinto Que a gente guarda pra não esquecer As vidas que a gente não escolheu Ainda moram no canto do olhar O beijo que o tempo não devolveu É o verso que eu esqueci de cantar Não há amargura no que se perdeu Só a paz de saber se encontrar Fecho o livro e guardo no lugar A vida lá fora insiste em chamar As ruas mudaram de cor e de tom Mas o que foi mudo ainda soa bom Como a nota solta de um acordeon Que o vento insiste em carregar Eu sigo meus passos sem pressa ou dor Levando o perfume desse antigo amor As vidas que a gente não escolheu Ainda moram no canto do olhar O beijo que o tempo não devolveu É o verso que eu esqueci de cantar Não há amargura no que se perdeu Só a paz de saber se encontrar
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